Esta intervenção requalificou os espaços públicos considerados relevantes do ponto de vista comercial, valorizou o património e espaço envolvente, criou zonas que beneficiam os espaços comerciais, melhorou as funcionalidades e acessibilidades às zonas comerciais, valorizou e ampliou os percursos pedonais e o ordenamento do sistema viário e de estacionamento, contemplando ainda a reformulação das redes de abastecimento de água e esgotos da zona envolvente da muralha, bastante antigas.
A zona envolvente ao Castelo de Borba compreende a Avenida do Povo, a Rua Humberto Silveira Fernandes (antiga Praça), Rua Fernão Penteado e a Avenida 25 de Abril. Tipologicamente com características diferentes, estas áreas assumem grande importância na actividade social e comercial da Vila. Aqui se localizam com maior densidade os serviços e as actividades comerciais. Esta obra contemplou um conjunto de intervenções bastante significativas, desde a requalificação do espaço intramuros com a recuperação do Cine-Teatro, substituição do pavimento em betuminoso por calçada para tornar o interior do Castelo de uso, quase exclusivamente, pedonal, ordenamento do estacionamento e alargamento de passeios nos pontos mais estreitos. Na Rua Marquês
de Marialva, uma via com tráfego intenso, a requalificação passou pela substituição dos pavimentos e o alargamento dos passeios, com ordenamento do estacionamento, visando a promoção do comércio local e tradicional. Na Rua São João de Deus substituiu-se o pavimento. Outra intervenção significativa a realizar é a abertura da Porta da Torre do Sino, sobre a torre do relógio, uma das duas portas que foram obstruídas, para a qual já foram efectuadas as pesquisas arqueológicas. A iluminação será reforçada com a colocação de focos de iluminação encastrados no pavimento, incidindo sobre as muralhas, Porta do Celeiro, Porta de Estremoz e Porta da Torre do Sino. Pretende-se ainda promover a instalação de equipamentos tendo em vista a promoção do concelho e atracção de funções comerciais para o interior do Castelo, tornando-o mais vivo, passando também pelo restauro e consolidação dos panos de muralhas.
Esta intervenção reveste-se de grande importância, por se enquadrar com a valorização do património cultural edificado que o centro histórico da Vila possui, mas que actualmente não se encontra valorizado, pretendendo-se desta forma estabelecer uma relação intrínseca e um equilíbrio entre o património edificado e o património cultural/vivencial no âmbito comercial da Vila. O Castelo de Borba foi fundado por D. Dinis, no ano de 1302, e foi palco de episódios históricos de certa notoriedade, onde as muralhas desempenharam um papel importante na defesa do aglomerado, designadamente durante as campanhas da Independência (1383-1385), da Restauração (1640) e das Invasões Francesas (1808). Inicialmente o Castelo possuía quatro portas: a Porta de Estremoz, Porta do Celeiro, Porta da Torre do Sino e uma voltada a sudeste. A partir de 1790, o polígono amuralhado foi destruído em toda a zona Poente (onde se localizada a porta voltada a sudeste fechada), a ligação extramuros através da rua direita (Porta da Torre do Sino) foi obstruída e o fosso foi totalmente entulhado e parcialmente ocupado pelo casario que se foi construindo ao longo do tempo junto às muralhas. Apesar do seu valor histórico, o Castelo apenas foi classificado em 1957 como Imóvel de Interesse Público, tendo sofrido importantes intervenções de restauro, pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, a partir dos anos sessenta. Altura em que foi desobstruída a muralha junto à Porta de Estremoz, reconstruídos os panos de muralha com as respectivas ameias e adarve, completada a torre quadrada com os respectivos cunhais e removidos todos os revestimentos exteriores.