As actividades extractiva e transformadora do mármore constituem uma das maiores riquezas da nossa terra, ao proporcionarem emprego a uma proporção significativa da população e ao serem responsáveis por influxo de dinheiro e valorização da região, tendo contribuído decisivamente para a melhoria do nível de vida das populações. No entanto, os impactes ambientais provocados por esta actividade são bastante significativos e deverão ser urgentemente minimizados, sem prejuízo da continuidade desta indústria. É necessário articular a exploração e transformação do mármore com a conservação do nosso, também importante, património natural, ao tornar esta actividade sustentável e em conformidade com a conservação da natureza.
Nesta perspectiva, o Município de Borba apresentou uma candidatura à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo para a recuperação ambiental e selagem de uma pedreira abandonada, no valor estimado de 430 mil euros. A pedreira, localizada na Quinta da Fonte do Freixo, junto ao cruzamento da Estrada Nacional 4 e a Estrada Municipal 506-1 de acesso à freguesia de Orada, foi adquirida pela autarquia e engloba uma escombreira e um conjunto de pedra mármore abandonados, encontrando-se actualmente desactivada e sem qualquer utilização. Este projecto visa a sua recuperação ambiental e paisagística, numa área de aproximadamente 20,930 m2, que foi alvo de exploração ilegal do seu substrato geológico numa antiga área de olival, tornando-se numa mais-valia para a concelho e para a preservação dos seus recursos naturais.
A intervenção vai permitir a valorização de um resíduo, na medida em que permite o correcto depósito de uma grande quantidade de natas produzidas e para as quais não existem actualmente locais apropriados para o seu depósito, recuperando e revitalizando a área degradada de forma a promover a flora autóctone através da criação do Parque Botânico, que permitirá o contacto das populações com a mesma. O projecto tem carácter demonstrativo, na medida em que demonstra que é possível recuperar estas áreas e voltar a enquadrá-las na nossa paisagem, alertando a população para a problemática das pedreiras abandonadas enquanto áreas que desvalorizam o nosso património natural e a paisagem da nossa região, encontrando-se dividido em duas fases distintas, a recuperação da topografia inicial do terreno e selagem da pedreira e, posteriormente, a recuperação da vegetação e criação do Parque Botânico. Na primeira fase, será efectuada a movimentação de terras de modo a dar uma topografia fidedigna à globalidade do terreno, o mais próxima possível da existente antes da exploração. Parte do material que se vai remover da escombreira servirá para enchimento da pedreira, sobre as natas, concluindo o seu enchimento com natas e desperdícios provenientes da indústria transformadora do mármore. A segunda fase destina-se à recuperação da vegetação e criação do parque, com a instalação de espécies autóctones que promovam a flora da região e minimizam as acções de manutenção, uma vez que as espécies estão bem adaptadas às condições da região. Para apoio ao parque será instalado um edifício em madeira com 12 m2, localizado na entrada, que funcionará como portaria, e uma outra edificação em madeira com uma área de 150m2, que constituirá a infra-estrutura principal do parque, equipada com sanitários públicos, espaços para exposições, material informático, arquivo e biblioteca referentes à fauna e flora da região. O parque será equipado com um parque de estacionamento para veículos ligeiros, ao qual será acoplado um parque de merendas. De forma a dar utilização aos blocos de pedra mármore ali existentes, que se encontram aleatoriamente dispersos pela área de intervenção, será criado um pequeno anfiteatro, que possuirá um palco pavimentado com lajetas em mármore amaciado da região.